PISA 2025 vai medir como os alunos usam IA para estudar: o que muda

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Todo mundo que acompanha educação já ouviu falar do PISA, o exame comparativo internacional aplicado a estudantes de 15 anos em dezenas de países. O que ainda não é tão conhecido é que a edição de 2025 — cujo resultado sai em setembro de 2026 — vai fazer, pela primeira vez, uma pergunta que nenhuma edição anterior fez: como o aluno usa inteligência artificial para estudar.

Este post explica o que muda nessa edição, por que a OCDE decidiu incluir esse recorte agora, e o que a própria organização já vinha alertando sobre uso de IA em sala antes mesmo do resultado sair.

O que é o PISA e por que ele pesa tanto

O PISA (Programme for International Student Assessment) é a maior pesquisa comparativa internacional sobre educação em aplicação — mede, a cada três anos, a capacidade de estudantes de 15 anos de aplicar o que aprenderam em leitura, matemática e ciências a problema do mundo real, não só reproduzir conteúdo decorado. É o exame que gera aquele tipo de manchete “Brasil cai/sobe no ranking mundial de educação”, porque permite comparar sistemas educacionais de países muito diferentes numa mesma régua.

A edição 2025, segundo a OCDE, reúne mais de 760 mil estudantes em 91 países e economias — a maior base de comparação já usada pelo exame. O foco principal continua sendo ciências, mas duas novidades entram no pacote desta rodada: uma avaliação inédita de língua estrangeira e, mais relevante para quem gerencia escola hoje, um domínio novo chamado Learning in the Digital World.

A novidade: pela primeira vez, a prova pergunta como o aluno usa a IA

O domínio Learning in the Digital World foi desenhado para medir a capacidade do estudante de se autorregular ao aprender usando ferramenta digital — não é um teste de “sabe usar o aplicativo”, é um teste de autonomia: o aluno consegue planejar o próprio estudo, verificar se entendeu de fato ou só copiou uma resposta, ajustar o próprio percurso quando erra?

Segundo a OCDE, essa edição do PISA também vai produzir, pela primeira vez, evidência sistemática e comparável entre países sobre como o estudante usa inteligência artificial generativa para tarefa escolar — não como autorrelato isolado de uma pesquisa nacional, mas como parte de um exame padronizado aplicado no mundo inteiro. É essa peça que falta hoje: cada país, cada rede, cada escola tem sua impressão sobre quanto e como o aluno usa IA para fazer tarefa, mas praticamente nenhum dado comparável entre sistemas diferentes.

O que a OCDE já vinha alertando, mesmo antes do resultado sair

Enquanto o resultado do PISA 2025 não sai, a OCDE já adiantou parte da preocupação por trás dessa nova medição em outra publicação, o Digital Education Outlook 2026. O relatório descreve uma tensão que qualquer coordenação pedagógica reconhece na prática: o benefício da IA generativa para aprendizagem “não é automático” — existe evidência de que uso excessivo, sem mediação, reduz o engajamento metacognitivo do estudante, criando uma distância entre “entregar a tarefa” e “ter aprendido de fato” o conteúdo por trás dela.

O mesmo relatório propõe um modelo de referência para lidar com isso: em vez de a IA substituir o papel do professor ou apenas complementar tarefa administrativa, o modelo que a OCDE chama de aumento — a IA como gatilho para o professor refinar a própria decisão pedagógica, não como atalho para pular a reflexão — é o que a organização recomenda como padrão desejável. O relatório também defende que a avaliação escolar em geral precisa se deslocar para formato menos vulnerável ao uso raso de IA: mais raciocínio explicado, mais oral, mais colaboração — não só resposta fechada que qualquer ferramenta gera em segundos.

É basicamente essa pergunta — “o aluno está pensando com a IA ou só copiando dela” — que o novo domínio do PISA 2025 tenta, pela primeira vez, medir em escala global e comparável.

O que esperar quando o resultado sair, em setembro de 2026

Vale um alerta honesto: até a data deste post, o resultado do PISA 2025 ainda não foi divulgado — a OCDE marcou o lançamento internacional para 8 de setembro de 2026. Tudo o que existe hoje é o desenho da metodologia e o alerta prévio de relatórios como o Digital Education Outlook, não o dado em si. Qualquer conclusão sobre “que país usa IA melhor” antes dessa data é especulação, não resultado.

O que dá para adiantar é o valor desse tipo de medição para quem pensa política educacional e gestão escolar: pela primeira vez vai existir uma régua comparável entre países sobre um fenômeno que, até agora, cada rede só enxergava pela própria bolha. Escola que já usa IA na rotina pedagógica — para plano de aula, correção, ou apoio ao professor — vai ter, com esse resultado, um contexto internacional mais sólido para avaliar se o próprio uso está mais perto do modelo de “aumento” que a OCDE recomenda ou do atalho raso que o mesmo relatório alerta.

Fechando com o que já é possível fazer hoje

Enquanto o resultado do PISA 2025 não chega, o caminho mais seguro continua sendo o que já discutimos em outros posts aqui no blog: usar IA para tirar tarefa repetitiva do caminho do professor — como no apoio à correção de redação — sem deixar que o aluno use a mesma ferramenta como atalho para não pensar. Para quem quer entender esse mesmo raciocínio aplicado à rotina de gestão, vale ver como funciona a inteligência artificial do EducaEinstein, sempre com revisão humana antes de qualquer ação — o mesmo princípio de “aumento, não substituição” que a OCDE defende para sala de aula.